Considerações iniciais a respeito da decisão estapafúrdia do STF quanto ao exercício do Jornalismo
Na coordenação do Curso de Jornalismo da Univali, mantenho contato frequente com os colegas formados aqui na casa. Assim que saiu a decisão do STF revogando a exigência do diploma para o exercício profissional, recebi mensagem do colega Túlio Borges Filho, via banco de egressos.
As considerações que compõem este texto são o resultado da conversa que mantive com ele. Eu as encaminho a vocês, acadêmicos e colegas professores, porque considero importante que nos manifestemos para reafirmar a importância da formação superior na área. E também porque acredito que, passado o impacto inicial do equívoco de que a sociedade brasileira é vítima, podemos sair fortalecidos desse momento desfavorável, transformando-o em motivação para enfrentar e vencer obstáculos que não foram inventados ontem pelo STF (mas agravados por ele).
Falo de velhos conhecidos nossos. Vejamos, então: enquanto vigorou a lei ora derrubada, já tínhamos um mercado repleto de irregularidades, por conta de uma fiscalização inoperante. Todos sabemos de pessoas que trabalhavam sem diploma impunemente. Claro que se era assim com a lei, pior agora, sem ela. Entretanto, não podemos subestimar o público leitor, telespectador, ouvinte, internauta.
Quando busca uma informação segura, a quem a sociedade recorre? A qualquer site, a qualquer blog, a qualquer impresso, a qualquer um? Não; todos querem ter certeza de estar recebendo uma informação confiável, apurada com base em critérios técnicos e postura ética.
Acredito que para sobreviver num mercado tão competitivo, os próprios empresários da comunicação terão de levar isso em conta. E aí, na hora da contratação, o diploma vai pesar.
Estou, neste momento, tentando ver o lado menos ruim disso tudo. E tenho esperança de que, como diz o ditado, “o tiro saia pela culatra”, com algo feito para nos enfraquecer servindo como impulso para o fortalecimento das escolas de jornalismo – ficarão as de melhor nível (ou seja, temos motivação extra para lutar por cursos melhores); e como forma de congregar a categoria – diplomada – em uma frente pela valorização da informação pautada no interesse público.
Somos 80 mil jornalistas formados no Brasil, segundo a Fenaj. Não vamos desaparecer no ar, certo? Estamos por aí, nas redações, nas assessorias, chefiando equipes, contratando gente,…
Como diz o jornalista Mário Xavier, não é possível extinguir jornalismo e jornalistas por decreto.
Muito do que está por vir depende de nós. Da nossa confiança na formação que temos, da nossa seriedade, da nossa certeza de estarmos fazendo o que é melhor para a sociedade. Com limitações, é certo, e os demais profissionais de outras áreas também as tem, mas acima de tudo com o discernimento de que – sim – um curso superior de Jornalismo é imprescindível para dar conta da realidade complexa que nos serve de matéria-prima.
Jane Cardozo da Silveira
SC00187JP


