Ética é o tema da abertura da Semana da Comunicação

 

 

Felipe da Costa, Gabriela Forlin e Joecy Henings

 

 

Palestra com Francisco Karam abriu o evento realizado na Univali

 

Na noite de ontem (terça, 30/09) foi aberta oficialmente a Semana da Comunicação 2008, organizada pelo Centro Acadêmico Integrado de Comunicação Social – CAICOM. O evento ocorreu no teatro Adelaide Konder, na Univali, e contou com a palestra “Questões éticas na comunicação”, ministrada pelo jornalista e professor Dr. Francisco Karam. Karam integrou a Comissão Nacional de Ética da Federação Nacional dos Jornalistas brasileiros e é autor dos livros “Jornalismo, Ética e Liberdade” e “A Ética Jornalística e o Interesse Público”.

 

Antes de iniciar a palestra, o presidente do Caicom, Ricardo Aoki, agradeceu os participantes, convidados da noite e palestrantes, enfatizando a importância de um evento acadêmico como a Semana da Comunicação. Aoki ainda aproveitou a oportunidade para afirmar a intenção de tornar a Semana da Comunicação da Univali a maior do sul do Brasil.

Durante sua explanação, Karam diferenciou o significado de ética e deontologia, explicando a origem dos conceitos e suas aplicações. Ele evidenciou também a importância de um código de conduta em qualquer área; segundo ele “tanto a medicina quanto as áreas midiáticas precisam de um código de ética”. No caso do jornalismo, este código será um guia do que o profissional deve ou não fazer, uma vez que lida com a opinião pública.

Karam falou também sobre a importância do trabalho dos observatórios de mídia, de imprensa e dos que fazem crítica de mídia. Citou grupos como o Observatório da Imprensa e o Monitor de Mídia que vêm crescendo no Brasil e no mundo. O jornalista comenta que até William Boner e Ali Kamel já escreveram se desculpando em um observatório.

 

Rogério Christofoletti debate questões éticas com os acadêmicos e o palestrante da noite

 

Logo após a explanação, Karam iniciou um debate juntamente com o jornalista especialista em ética, Rogério Christofoletti. O professor da instituição sentou-se à mesa e os dois jornalistas debateram com os alunos algumas questões sobre “Ética na Comunicação”.

Christofoletti iniciou o debate perguntando: “Com as novas tecnologias, Internet 2.0, convergência midiática e público menos passivo, quais os dilemas mais emergentes na Comunicação?”. Após uma reflexão sobre cada um dos conceitos, Karam conclui dizendo que por meio destas novas tecnologias é possível melhorar muito a qualidade da imprensa, pois o público ativo critica quando necessário e ajuda na construção de uma melhor mídia.

Ainda sobre as tecnologias, Karam comentou que “ninguém agüenta tanta informação no jornalismo on-line”. Ele explicou que por mais que as pessoas queiram estar informadas, chega um ponto em que não se pode mais absorver o fluxo contínuo de notícias. Além disso, o professor comentou também que “os blogs são interessantes, mas têm limites”. Karam refletiu sobre o fato de que cada vez que entramos em um diário virtual somos direcionados para outro, outro, outro e outro. Ele comentou que não é possível manter uma página e visitar todos os blogs, pois sempre deixaremos algo de lado. Ou manteremos bem o nosso blog ou comentaremos sempre nos diários alheios e teremos o nosso abandonado.

 

Diploma não é sinônimo de competência

 

Quando questionado sobre a queda da obrigatoriedade do diploma no Jornalismo, Karam afirmou que isso não deveria nos preocupar. Ele explicou que “nenhum campo do conhecimento consegue formar integralmente um profissional”, ou seja, como complementou Christofoletti, uma habilitação, um diploma, não é sinônimo de competência, de qualidade no trabalho. Karam afirmou que mesmo que o diploma não seja obrigátório, 90% das empresas vão preferir profissionais diplomados.

Um dos acadêmicos questionou sobre o uso de câmeras escondidas e Karam afirmou que em algumas situações é aceitável, em outras não. O professor concorda que alguns jornalistas cometam pequenos delitos para comprovar algum delito maior, de grande impacto social, mas que isso não significa que os fins justificam os meios. Ele explicou, e fechou o debate, afirmando que “os jornalistas vivem dos outros”.

Sobre a palestra, Christofoletti afirma que “nunca é demais discutir o tema, pois abrange a conduta dos profissionais com as fontes e, também, com o público. A ética nada mais é que desafio. Desafios de como agir bem, como agir da forma mais adequada”.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s