Mais considerações sobre o diploma

Jornalista com diploma, Imprensa de qualidade

                                      Carlos Golembiewski

Nesta semana, participei, na TV Univali (Itajaí/SC), de um programa sobre a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para exercer a profissão. Sou totalmente favorável ao diploma. Você consultaria um médico não formado? Você procuraria um advogado sem diploma? Com certeza, não. E nem deixaria qualquer um fiscalizar o uso do dinheiro público. Pois é, entre tantas atribuições, o jornalista questiona as ações dos poderes constituídos. Portanto, nada melhor que ele seja qualificado.
E é isso que oferecem os cursos de Jornalismo àquelas pessoas que desejam ingressar na profissão. Nas escolas, o aluno aprende as linguagens técnicas e específicas de cada meio de Comunicação. Como se escreve para rádio, TV, jornal, internet. Quantas fontes deve ouvir numa reportagem? O que é notícia na sociedade? E assim por diante. Além disso, o estudante recebe uma série de informações a respeito do funcionamento da sociedade: a história, a economia, a realidade, os parâmetros éticos, etc.
Dito isso, considero um absurdo a não obrigatoriedade do diploma para o exercício da atividade jornalística. Principalmente, porque uma das razões alegadas é que a exigência do diploma fere a liberdade de expressão consagrada na Constituição Federal. Pura falácia. Basta abrir qualquer jornal impresso, por menor que seja, para observar a quantidade de textos publicados por pessoas das mais diferentes profissões e classes sociais. Todos podem e devem opinar. O que não se pode é confundir opinião com jornalismo.
Numa simples reportagem, o jornalista vai ouvir as partes envolvidas, o poder público, etc. Ou seja, vai apurar, da melhor forma, o acontecimento. Esse é o seu compromisso. Já quem escreve num jornal apenas expõe sua opinião, que também é legítima, mas que nada tem a ver com as funções de um jornalista formado.
Por isso, a não exigência do diploma de jornalista atende apenas a interesses de um pequeno grupo de empresários do Estado de São Paulo. Porque, mesmo na capital paulista, outras empresas de Comunicação são favoráveis ao diploma. A Rede Globo e o grupo O Estado se enquadram nessa conduta. Por último, tramita no Senado, neste momento, uma emenda constitucional (PEC) que busca reverter essa decisão sobre o diploma de Jornalismo. Já foi aprovada na Câmara dos Deputados e a maioria dos senadores se mostra favorável à questão. O que é uma boa notícia.
Hoje, quem é favorável ao diploma pode assinar um abaixo-assinado no site da Fenaj – Federação Nacional de Jornalistas (www.fenaj.org.br). Quem sabe, com a participação de todos, consigamos colocar a profissão de jornalista no patamar que ela merece. Afinal, um país só é forte se tiver uma Imprensa de qualidade.

Dr. Carlos Golembiewski, jornalista e professor universitário

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