“O essencial, no profissional de hoje, é ter uma atitude positiva diante do novo”

Entrevista com Marcelo Rech

 

Fotos: Daniel Conzi (palestra) e Adriana Franciosi (estúdio)

 

O diretor-executivo de Jornalismo do Grupo RBS, Marcelo Rech, tem 54 anos de idade e mais de 30 de atuação na área. Sua presença já está confirmada nesta quarta edição do Olhares Múltiplos, evento marcado para os dias 27, 28 e 29 de maio, simultaneamente em Balneário Camboriú, Florianópolis e Itajaí. A equipe deste informativo especial para o Olhares Múltiplos antecipa algumas ideias defendidas por este profissional à frente de um dos maiores conglomerados de mídia do país, em entrevista concedida aos integrantes do Projeto Casulo da Univali.

 

Olhares MúltiplosQue profissional a RBS espera hoje que a universidade forme? Mais teórico, com mais com técnica?

Marcelo Rech – O profissional hoje, não só para a RBS – mas para todas as grandes empresas do mercado em geral – tem de ser mais completo. A técnica básica tem um valor, mas não é o mais importante. O essencial, seja no mercado jornalístico, seja em qualquer outra atividade, é a atitude do profissional diante do novo. A atitude ética dele, a sua percepção de mundo, a capacidade dele de enxergar as coisas de uma forma diferente, de fazer coisas novas, de criar coisas novas. Planejar, pensar, executar e extrair resultados concretos a partir de uma coisa que a gente pode até chamar de empreendedorismo. Então, esse é o profissional que se quer hoje. Que tenha uma atitude positiva, capacidade cognitiva e de raciocínio muito avançada, e que tenha, naturalmente, os fundamentos técnicos, que sempre podem ser aprimorados e até transformados, como vem acontecendo.

 

OMQuais são os desafios de se fazer jornalismo hoje em dia, em tempos de internet?

MR – O grande desafio, eu acho, é fazer a diferença. Jornalismo profissional. É mostrar, deixar claro que a atividade profissional do jornalismo não é essa que se exerce de forma amadora ou voluntária ou não profissional nas redes sociais, em blogs, etc. Mas que o jornalismo profissional tem, além da técnica, suas peculariedades. É preciso ter uma capacidade de apreensão, apuração,  seleção de elementos do cotidiano e de transformação daquilo ali – após passar por vários  filtros de edição e de processamento – em algo crível. Que se aproxime o mais próximo possível da verdade. Que faça a checagem de fatos, que tenha uma postura independente, etc. Então, este é o jornalismo que tem um futuro. Que faça a diferença em relação a todo o mais que existe por aí, twitter, rede social, facebook, etc.

 

OMO que o púbico exige e espera de um jornalista?

MR – Ele espera uma postura independente e ética. Acho que, fundamentalmente, é disso. E é nisso que nós vamos poder fazer a diferença, já hoje e cada vez mais daqui pra frente. Fundamentalmente ele espera credibilidade. Nada é mais relevante pra nós. Nada vai ser mais relevante pra nós que o jornalismo profissional. Aqueles que fazem do jornalismo a sua atividade de vida e profissional, o seu ganha pão, do que credibilidade. Trabalhar com precisão e a partir de postura ética e correta diante da notícia, dos fatos, da opinião, etc.

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OMO jornalismo hoje é mais fácil ou mais difícil de se fazer do que antigamente?

MR – Essa é uma pergunta que não sei responder… Acho que está mais complexo. Bem mais complexo. Talvez esteja mais fascinante de um lado. Você tem de ir muito mais além da notícia, do que se ía antigamente. Antes, bastava se apurar uma notícia, colocar isso para o público e estava feito. Hoje não basta. Todo mundo tem essa notícia à disposição. Então, você tem que ir além, aprofundar. Tem que ter um olhar mais avançado para a informação do que se tinha há 20, 30, 40 anos. Esse é um dado. A vantagem é que hoje você tem o google. Você checa rapidamente uma informação. Você encontra uma fonte com facilidade. Antes para se encontrar uma fonte tinha um telefone na redação, dois telefones, duas linhas, e todo mundo disputando aquela mesma linha. Não existia telefone celular… Para encontrar as pessoas tinha que se sair da redação. Isso é uma coisa boa, pois você tem um contato mais próximo da realidade, mas também tinha menos diversidade. Era mais restrita a atividade por causa dessas dificuldades logísticas… Hoje é mais complexo.

 

OMQual a principal tarefa da grandes redes de mídia?

MR – A grande tarefa nossa vai ser, cada vez mais, certificar a informação. Dizer, olha, está se falando isto. Isto aqui é verdade por causa disso, disso e disso. E isso daqui não é verdade por causa disso, disso e disso. O que de fato está acontecendo e o que de fato aconteceu. Então, é dar nossa certificação, o selo de qualidade, de credibilidade. Dar o aval, dar o endosso à informação o mais próxima possível da realidade.

 

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Ser positivo: diretor executivo da RBS busca profissionais além da capacidade técnica do jornalismo

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