O polivalente Alcides Mafra

Nascido em Porto Belo, Alcides Mafra cresceu rodeado de um grupo de amigos criativos. Desenhar e escrever histórias em quadrinhos era uma das preferências da turma. É aí que começa sua relação com as palavras e o gosto pela leitura, que o ajudou ao longo da vida escolar.

Essa relação mais íntima com as palavras levou Alcides Mafra ao Jornalismo antes mesmo que ele se interessasse em estudá-lo. No ano de 1994, o então prefeito de Porto Belo, Sergio Biehler, convidou Alcides e seu amigo Roberto de Souza para trabalharem no Maré Mansa, informativo municipal que circulava semanalmente. Os dois amigos deram uma cara mais jovem ao trabalho, com assuntos mais voltados à cultura local, deixando o enfoque político um pouco de lado.

Depois de um ano de trabalho no Maré Mansa, Alcides passou a trabalhar no Jornal Planetário, tido como jornal de oposição ao governo municipal. A diagramação era sua função principal. Após um período no Planetário, ele começou a trabalhar de forma autônoma com diagramação para vários jornais da região.

Esse e outros projetos continuaram até que André e Luiz Dadam, amigos e parceiros de trabalho, propõem um jornal próprio. Por que não?  O ano era 1996. Período eleitoral. Época conturbada em pequenas cidades. Surge o Jornal Pirão D’água.

Essa é, até então, a mais importante experiência profissional de Alcides Mafra. No Pirão D’água diagramou, pesquisou, entrevistou, escreveu, administrou. E o trabalho deu certo. Só isso pode ser dito de um Jornal em uma cidade pequena, que durou mais de cinco anos, mesmo tendo uma proposta diferente dos tradicionais meios de comunicação apoiados em correntes políticas favoráveis. Isso se confirma mais ainda porque até hoje o jornal é lembrado pelas pessoas. Ainda é tido como uma referência na cidade.

Depois desse tempo experimentando o jornalismo na prática, Alcides resolveu fazer faculdade, mas ainda não tinha certeza sobre o curso. Letras e Jornalismo eram as opções. E a segunda foi escolhida. No segundo semestre de 2001 ingressou na Univali. Segundo mais velho da turma, dez anos mais velho que a maioria e com experiência de sobra em Jornalismo. Assim começou sua caminhada na Universidade. Ele destaca, porém, que a Faculdade foi de fundamental importância em sua formação.

Alcides é um cara reservado. Por isso, as câmeras não o atraíam muito. Das matérias de rádio sempre gostou. Escrever é seu forte. Afirma, contudo, que a experimentação proporcionada pelo Curso é uma fonte riquíssima de aprendizado.

Durante o curso, foi convidado a trabalhar na Editora Polibras, em Itajaí, com a diagramação do site Portal Photos e da revista Photos e Imagens, especializados em Fotografia. Polivalente que é, logo passou a fazer charges, arte final, escrever e revisar as publicações da editora. Sempre fez de tudo um pouco. Há três anos, trabalha na Editora Iphotos. A princípio escrevendo matérias sobre fotografia para seu site. Hoje é responsável pela edição e revisão dos livros a serem lançados pela editora.

Alcides Mafra formou-se em 2005. Seu Trabalho de Conclusão de Curso foi uma grande reportagem intitulada “Contam os Antigos – histórias e lendas de Bombinhas”. O TCC reuniu depoimentos de moradores tradicionais e conta a história do povo da cidade vizinha à sua, Porto Belo. O trabalho virou livro, publicado pela Editora Univali. A obra foi lançada em Porto Belo. Trezentas cópias impressas e vendidas, reconhecimento merecido a um trabalho tão importante.

Como as responsabilidades acompanham os êxitos, Alcides ficou com a missão de dar continuidade ao trabalho. Uma segunda edição do livro foi o pedido de muitas pessoas. A cobrança dos moradores de Porto Belo, para que um trabalho na mesma linha fosse feito sobre sua cidade, também veio. Projetos que ainda existem, mas que esperam para ser concretizados. Por enquanto, crônicas sobre personagens e histórias da pacata Porto Belo ele publica em seu blog (jornalpiraodagua.wordpress.com).

Fato curioso e digno de nota é o dia da formatura do nosso personagem. A personalidade retraída é a responsável de ele não ter participado da cerimônia. Nem colação de grau e nem baile. Durante a cerimônia de colação, Alcides foi anunciado como o homenageado como o melhor aluno da turma. Num descuido da organização, o Mestre de Cerimônias o chamou ao palco para receber o prêmio. Só ficou sabendo depois, através dos amigos.

É longa a trajetória de Alcides Mafra no Jornalismo. São vinte anos na área. Mas, maior ainda é sua trajetória como Dil, o codinome adotado por ele em seus trabalhos artísticos. Aqueles que desenvolve desde menino, em parceria dos amigos. Nas charges das revistas é assim que ele assina. Nos desenhos que ilustram os livros de amigos, e até o seu próprio, é assim que ele assina. E é como Dil também que assina as telas da Exposição Povos da Floresta. Retratando índios de várias tribos brasileiras, as telas mostram que a mão esquerda que tão bem escreve, é hábil também na pintura.

Alcides Mafra é modesto. Se diz jornalista. Essa é sua profissão, modo como ganha a vida e paixão. Não se considera artista. A pintura é uma forma de expressar um pouco do seu gosto pela arte. E de Alcides não partem elogios ao trabalho de Dil. Por mais que este mereça…

Por Thiago Cassaniga Furtado

Edição: Carlos Praxedes

Foto: Mara Luíza Mafra

alcides

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